Penela – Villa Romana do Rabaçal com novo projecto

Complexo arqueológico deve ser um empreendimento ‘diferenciador do território’


Pombal 97 fm / Arqueologia – O complexo arqueológico da Villa Romana do Rabaçal, no concelho de Penela, deverá ser um empreendimento “diferenciador do território” que valorize a herança da romanização, defendeu, na quarta-feira, o presidente da Câmara Municipal.
Luis Matias, que falava durante um debate sobre os próximos passos para definir o futuro da estação arqueológica do Rabaçal, adiantou que “queremos ter algo único e diferenciador”, realçando a importância de debater o assunto com a população e com os especialistas, na procura de uma solução que ajude a “dinamizar a base económica local”, a partir da valorização do património cultural, natural e paisagístico e em torno da antiga presença romana na região da Serra de Sicó. Para o autarca importa “pensar o território como um todo”, reforçando a identidade do concelho, no distrito de Coimbra, e das terras de Sicó, que abrangem, também, alguns municípios do norte do distrito de Leiria.
Na sessão, realizada no Salão Nobre dos Paços do Concelho de Penela, Maria da Conceição Melo, presidente da Secção Regional do Norte da Ordem dos Arquitectos, frisou que o Estado e as autarquias, quando intervêm nesta área, “também estão a construir património”. “Muitas vezes, as instituições públicas esquecem-se disso”, acrescentou, alertando que, em geral, “o mais baixo preço é o pior ponto de partida” para as intervenções associadas ao património cultural”.
Por sua vez, o vice-presidente do Município penelense, Rui Pereira, responsável pelo pelouro da Cultura, defendeu que o projecto final de transformação da Villa Romana do Rabaçal num complexo arqueológico que atraia visitantes à região, tem de “ser muito bem pensado e discutido”. Os diferentes contributos devem “orientar os caminhos” dos decisores políticos, o que, segundo o autarca, também terá de acontecer com a Villa Romana do Rabaçal, cujos trabalhos de escavação arqueológica foram coordenados, nos últimos 30 anos, por Miguel Pessoa, do Museu Nacional de Conímbriga, em Condeixa-a-Nova. “Gostamos de poder orientar os nossos caminhos, para podermos conciliar o que já temos com o que podemos ter”, sublinhou.
Carlos Figueiredo, presidente da Secção Regional do Centro da Ordem dos dos Arquitectos, aconselhou a Câmara de Penela “a proteger o vale do Rabaçal”, com valorização da “matriz arqueológica” e tendo presente as relações da arquitectura com o território, a natureza e a história, enquanto o arquitecto Carlos Antunes preconizou que os arquitectos “devem ter voz nestes processos”, como noutros congéneres, e o seu papel “não pode ficar confinado àquilo que são os regulamentos”,
Na sessão, a Câmara de Penela apresentou o resultado do primeiro concurso público de ‘Concepção do Complexo Arqueológico da Villa Romana do Rabaçal’, a par da inauguração de uma exposição dos trabalhos dos concorrentes, que serve de mote para "um conjunto de iniciativas que visam envolver todos os intervenientes naturais deste processo, nomeadamente a população local, os técnicos das várias disciplinas, as instituições públicas e privadas com expressão local, regional e mesmo nacional, numa reflexão e discussão conjunta sobre o futuro da Villa Romana do Rabaçal”, referiu a autarquia.
(com Observador)

 

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