Região Centro – Colheita de mel com perdas de 80%

Apicultores atribuem culpas às condições climatéricas da Primavera


Pombal 97 fm / Economia – Os apicultores da Serra da Lousã estão a registar quebras de 80% na colheita de mel, as quais ficam a dever-se, sobretudo, às condições climatéricas da Primavera.
Mesmo assim, apesar da fraca colheita, o mel da Serra da Lousã deverá cumprir os padrões médios de qualidade. “Temos baixas de produção entre 75 e 85%”, informou o presidente da ‘Lousãmel’ - Cooperativa Agrícola dos Apicultores da Lousã e Concelhos Limítrofes, António Carvalho.
Sem dúvidas quanto ao facto do maior decréscimo da produção das últimas décadas ser uma consequência da instabilidade climatérica verificada na Primavera, o responsável considera que a chuva persistente, caída em Maio, fez com que a flor da urze ficasse “muito lavada”, disponibilizando menos néctar e pólen, a que se seguiu “um calor terrível”. Isto, enquanto as abelhas tiveram necessidade de consumir algum mel já acumulado e “só na segunda quinzena de Junho é que entrou mais algum”.
Além da região demarcada do mel com denominação de origem protegida (DOP) Serra da Lousã, cuja gestão cabe àquela cooperativa, com 470 associados, que tem vindo a alargar a sua intervenção a outras zonas do País.
Nos últimos anos, também a Cooperativa Social e Agro-Florestal de Vila Nova do Ceira, no vizinho município de Góis, tem apostado na apicultura, tanto no apoio à produção, como na formação de sócios e demais interessados.
Domingos Alves, que possui apiários na Serra da Lousã, na Figueira da Foz, no Ribatejo e no Alentejo, é o responsável técnico de um projecto da cooperativa de Vila Nova de Ceira que inclui a apicultura.
“Desta vez, temos quebras de produção de 80% no mínimo”, confirmou o apicultor, que desenvolve a sua actividade a partir da Castanheira de Pêra, onde reside, prevendo que, apesar das baixas produções, o mel da Serra da Lousã deverá, este ano, cumprir os padrões médios de qualidade, designadamente quanto à composição química, cor, gosto e textura. Em 2019, pelo contrário, “o mel não foi de excepcional qualidade”, ainda que as colheitas tenham sido mais satisfatórias, adiantou.
A urze é a planta arbustiva predominante na montanha, embora sofra, actualmente, a concorrência de espécies exóticas e invasivas, como o eucalipto e a mimosa, além do flagelo dos fogos que, associados às alterações climáticas, têm vindo a dizimar extensas manchas da floresta autóctone, incluindo castanheiros e carvalhos que contribuem para a qualidade única do mel da região.
Na Pampilhosa da Serra foi fundada, em 2011, a Pampimel - Cooperativa de Apicultores e Produtores de Medronho, sabendo-se que, neste município, as colheitas de mel de urze já começaram e “estão a ser muito fracas”, afirmou o presidente da cooperativa, Luís Estêvão.
A qualidade, no entanto, melhorou, três anos depois dos grandes incêndios de 2017, que devastaram também o concelho. “A produção é francamente má, mas voltámos a ter mel de urze”, já que o coberto vegetal tende a recompor-se dos fogos, explicou, recordando que, no ano passado, “o mel era mais multifloral e claro, com pouca quantidade de urze”, cuja flor concede ao produto a tonalidade escura e o sabor adstringente.
Os sócios da ‘Pampimel’ têm, agora, produções “pelo menos 70% mais baixas em relação a um ano médio”, de acordo com o mesmo dirigente, explicando que a maioria das explorações locais são de pequena dimensão e os donos “não se dedicam a tempo inteiro” a esse trabalho e, ainda, que as condições atmosféricas, especialmente o frio em Maio, condicionaram as produções de mel ao mínimo.
Ana Paula Sançana, directora executiva da ‘Lousãmel’, corroborou que “as perspectivas são altamente dramáticas” para a colheita deste verão, que ainda não começou em vários concelhos. “Muitos produtores nem sequer vão certificar o mel, pois verifica-se uma autêntica razia”, sublinhou, realçando que as quebras não foram originadas “por défice de maneio ou alimentação”, mas sim pelo clima. Defendeu, entretanto, que “vão ser necessárias medidas para apoiar estes produtores”.
A ‘Lousãmel’ integra 10 municípios - Arganil, Castanheira de Pêra, Figueiró dos Vinhos, Góis, Lousã, Miranda do Corvo, Pampilhosa da Serra, Pedrógão Grande, Penela e Vila Nova de Poiares.
(com Agência Lusa)

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