Penela – Sobre as pretensões dos médicos

Ministra da Saúde revelou não ter condições para as satisfazer



Pombal 97 fm / Saúde – A Ministra da Saúde revelou, em Penela, que o Governo não tem, nesta legislatura, condições de satisfazer algumas pretensões dos médicos, que têm agendada uma greve para o início de Julho.
Naquela vila, Marta Temido disse compreender “que seja difícil responder inteiramente às expectativas dos profissionais e que isso possa ser entendido como justificativo de algumas formas de luta, que respeito, mas que não posso deixar de contrapor, assinalando tudo o que foi feito e o que ainda estamos a fazer”.
À margem da cerimónia de abertura da convenção “Pensar & Agir em saúde de proximidade”, que decorreu na Biblioteca Municipal de Penela, durante a qual houve lugar a um momento evocativo de António Arnaut, criador do Serviço Nacional de Saúde (SNS) e natural do concelho, a titular da pasta da Saúde reforçou que, nesta legislatura, “o Governo não consegue responder a algumas das reivindicações médicas”.
Salientando que tem sido percorrido “um caminho muito longo desde o início da legislatura, relativamente a várias áreas profissionais de saúde, concretamente à profissão médica”, Marta Temido sublinhou que “não é possível, agora, reduzir a lista de utentes por médico de família”, apesar de compreender que, “face ao peso demográfico e de patologias da população, é uma necessidade que tem de ser revista e pensada para futuro”.
A Ministra adiantou, ainda, que também não é possível “reduzir o período de trabalho normal do serviço de urgência de 18 para 12 horas, porque continuamos ainda a ter um SNS muito assente nos serviços de urgência e, portanto, teremos de começar por o reestruturar antes de pensarmos nessa reorganização do trabalho médico, e depois teremos também de discutir a alocação dessas horas que, dessa forma, ficam libertas”.
Referiu, ainda, que não é possível à tutela discutir um estatuto sobre desgaste rápido ou de reforma antecipada, da mesma forma que não foi possível para outros grupos profissionais da saúde, pelo que “não poderíamos ter aqui uma posição diferente, relativamente a esses temas”.
Contudo, acrescentou, existem temas em que há acordo, “nomeadamente quanto à necessidade de melhorar as condições de trabalho e os incentivos, de garantir que os concursos são atempados e as progressões na carreira existem e que alguns grupos de profissionais médicos, que trabalham em determinadas áreas, como o INEM, têm um estatuto de segurança reforçado”.
As duas estruturas sindicais dos médicos lamentaram a falta de resultados na reunião negocial, realizada na última quinta-feira com a Ministra da Saúde, e mantêm a greve de dois dias, marcada para o início do próximo mês de Julho. (com Agência Lusa)

 

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